quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

Tides




Amigos, Família: 

Peço desculpas em avanço pela ausência das minhas palavras... tenho feito um esforço consciente para vos apaziguar as preocupações com apenas as boas notícias e factos curiosos da minha divergência cultural em contacto com este povo estranho e variado.

Mas nem tudo são rosas.... na verdade as rosas representam cerca de 15% da minha actividade. Estou preocupado porque não estou a fazer o dinheiro que esperava fazer.... com os pagamentos que recebi até agora, mais valia estar perto de vocês... a única diferença é que não tenho despesas básicas a bordo...

Todos os departamentos que ganham à comissão estão em constante clamor pela nossa mudança de portos-base. Ao que parece, dois meses antes de me juntar à equipa partíamos de Port Canaveral - Orlando e as coisas corriam bem... neste momento partimos de Galveston Texas e os paychecks estão em 60% do que costumavam ser... podem presumir que o quadro me foi pintado com os padrões típicos de Orlando e não do Texas...  Mesmo para a minha tentativa de vir a bordo sem expectativas não nos iludamos... vim para fazer dinheiro...

Essas são algumas das más notícias... 

Em treino fazem-nos ver um gráfico, preenchido por parábolas crescentes e decrescentes. Pequenas ondas positivas e negativas que se vão suavizando com o tempo até estarem próximas do zero. Representamos assim os nossos estados de humor a bordo, oscilantes entre o entusiasmo e o desespero. Tudo a bordo ganha uma amplitude estranha... um abraço de um amigo pode ser o momento alto do dia, e uma má notícia ganha proporções suficientemente grandes para nos singir ao isolamento deprimente na nossa cabine com três metros quadrados. Não sejamos injustos, quatro vá... 

Estou na onda decrescente. As saudades que sinto e o barulho no corredor dizem-me que ainda não vejo a curva a subir.

Abreijos

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